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“Tirar alguém da cadeia é fácil, tirar do crime é muito difícil” - (parte V) - ZeroHora

 

O que pensa da redução da maioridade penal?

 

Sou contra porque um jovem nessa fase não está desenvolvido. A lei brasileira, no aspecto civil, não considera esse jovem uma pessoa capaz. Não outorgamos para ele carteira de motorista, não permitimos que case, que administre herança, que venda imóvel. Por quê? Porque não o consideramos responsável. Não consideramos nossos filhos de 16, 17 anos adultos. Não os deixamos na rua sozinhos à noite, levamos e buscamos nas festas de madrugada.

 

Esse jovem sabe o que é certo ou errado?

 

Não é que esse jovem não saiba o que é certo ou errado. Mas ele precisa ser melhor protegido e orientado. E não é jogando ele na prisão que nós vamos fazer isso. Essa situação só se justifica do ponto de vista do direito penal do inimigo. Você quer que o filho do outro vá para a cadeia. Não quer que teu filho vá. Estamos fazendo debate ilógico com posições de ódio, como se fosse o bem contra o mal, onde todos se consideram na posição do bem e quem não tem minha posição está no mal. Temos de fazer uma conciliação nacional. A redução da maioridade penal é o remédio que vai matar o paciente.

 

É mais fácil ser o lado que opina, que diz o que o outro tem de fazer sem precisar enfrentar as dificuldades financeiras como as do Executivo, por exemplo?

 

É muito mais fácil ser pedra do que vidraça. Eu também sou vidraça, e bastante, na medida em que sou a pessoa que pratica o ato que a sociedade não gosta, que é o de soltar alguém que cometeu crime.

 

Como é seu dia a dia fora das cadeias, do trabalho? O que faz?

 

Levo tempo para me desconectar do trabalho. Não consigo desligar na sexta e só voltar na segunda. Normalmente, estou conectado. Em férias, só me desconecto depois do 15º dia de férias. Final de semana, o que tento fazer é foto, gosto de fotografia, gosto de andar de bicicleta, gosto de não ser reconhecido, de ser só mais um.

 

Suas fotos retratando o interior de presídios são famosas. De onde vem o gosto pela fotografia?

 

Foi ao natural. Não tenho talentos, não pinto, não toco instrumento. Sobrou a fotografia. Fiz um curso básico. Gosto muito do Sebastião Salgado. Acho que a fotografia tem essa capacidade de mostrar e congelar as coisas. E este ano quase voltei para a faculdade, quero fazer História. E ando de bicicleta porque não gosto de academia, de puxar ferro.

 

Qual tipo de leitura prefere?

Gosto muito de História. Nas últimas férias, li três livros de História do Brasil. Agora, estou com vontade de ler sobre tribos indígenas que compunham o país.


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